Ínsula – Festival Tremor
Inauguração Exposição - Performance
27 mar. 202616h00
Ínsula
Exposição – Performance
27 mar. 2026 | 16h00 – 18h00
Local: Cave
Uma experiência performativa que explora a ideia de ilha, tanto como território rodeado de água quanto como território interior de sensações e afetos. Um percurso sonoro que convida à escuta ativa, atravessa ligações entre corpo, emoção e presença, e interroga a forma como habitamos e somos habitados por lugares e seres. Proposta desenvolvida no âmbito do Ciclo – espaço de formação direcionada, no âmbito do Festival Tremor.
Ínsula nasce de um território partilhado que é físico, sensorial e relacional, construído ao longo do Ciclo 2025, um espaço de aprendizagem, encontro e criação artística coletiva criado pelo festival Tremor. Mais do que um programa formativo, o Ciclo afirma-se como uma zona autónoma temporária: um lugar experimental onde escuta, conversa, colaboração e prática artística se cruzam a partir das singularidades e interesses de cada participante.
Ao longo deste processo, sete criadores que vivem e trabalham nos Açores reuniram-se para um percurso de encontro, experimentação e desenvolvimento de práticas artísticas colaborativas, promovendo a partilha de metodologias e a construção conjunta de pensamento crítico e criação contemporânea.
O objeto artístico desenvolvido ao longo do Ciclo é uma cartografia imaginária, sensorial e sonora da ilha de São Miguel. Não se trata de um mapa fixo, mas de um território reinventado, composto pelas relações íntimas com a ilha, pelas memórias, pelas escutas e pelas ressonâncias que cada corpo transporta. Cada pessoa traz a sua própria linguagem, mas é na relação entre todas que emerge o ecossistema desta peça.
Um ecossistema não é apenas um conjunto de elementos: é uma rede viva de influências, tensões, afetos e transformações. Assim foi o processo: um cruzamento de microterritórios que, juntos, constroem uma ilha possível.
Ínsula convoca também o seu duplo significado: porção de terra rodeada de água; e, em anatomia, região profunda do cérebro responsável pela interocepção: a capacidade de sentir o corpo por dentro, integrar emoções e reconhecer o outro. Entre geografia e interioridade, a obra propõe uma experiência de presença e escuta ativa.
Eu respiro. A ilha respira. Respiramos.
Estranhos seres encontram-se numa diáspora e num presente comum: aterram, semeiam, enraízam. Ínsula assume a forma de uma performance duracional sobre a experiência de habitar a ilha, e de ser habitado por ela, através de um percurso sonoro e sensorial que convida o público a atravessar este território vivo.
Artistas: Diana Pinto, Dinis Sottomayor, Felipe Oliveira, Filipa Gomes, José Amorim, Mário Lino e Valentina Alvarez.
Direção artística: Raquel Castro
Biografia Artistas
Diana Pinto
(Leiria, 1989)
Curiosa pelo corpo, arte e expressão através do movimento. Por entre o seu trabalho enquanto bailarina-intérprete, criadora e professora, entende-se como uma eterna curiosa e aprendiz, sempre disponível para experimentar e ampliar a sua área de ação e formação nos vários tipos de abordagem ao movimento.
A residir em São Miguel desde 2023, interessa-se por explorar o potencial artístico da ilha e em estabelecer novos caminhos através da expressão artística do movimento.
Dinis Sottomayor
(Porto, 1982)
Formado em Arquitectura pela FAUP, desenvolve uma prática criativa que transita entre linguagens visuais e sonoras, do documental ao comercial, das colaborações artísticas à improvisação musical. Baterista autodidata, aos 35 anos decidiu estudar formalmente, integra o trio Malino e alimenta uma paixão profunda pelo jazz e música improvisada.
Radicado na Horta, Faial, desde 2021, a insularidade trouxe-lhe novos contextos de colaboração e reflexão criativa.
Felipe Oliveira
(Feira Santana, Bahia, Brasil, 1994)
Brasileiro, residente em Berlim e Ponta Delgada. Felipe transita entre o mundo da arte e do direito, criando memórias, conexões entre lugares, pessoas e culturas.
Filipa Gomes
(Ponte de Lima, 1997)
Artista multidisciplinar que tem explorado e se desenvolvido nas áreas de interpretação, declamação e escrita de poesia, música (voz, violino, exploração sonora), arte para infância e arte sonora, procurando estabelecer ligações entre a vida e a arte como elemento de reflexão, de resgate da pureza e da essência humanas e enquanto elemento de resistência à brutalidade da rapidez e mecanização da vida contemporânea.
José Amorim
(Amarante, 1985)
Graduado em Arquitetura pela FAUL, tem desenvolvido um percurso centrado na exploração prática de métodos construtivos, marcado por projetos colaborativos e instalações in situ. Fora de Portugal, envolve-se em projetos comunitários de construção natural e energias renováveis para Índia, Gâmbia e Guiné Equatorial. Desde 2018, reside em São Miguel, Açores, onde estreia o seu projeto diletante Zelecta, que explora a diáspora da música e a cruza com a cena clubbing mundial.
Mário Lino
(Ponta Delgada, 1972)
Inseriu-se no mundo da música nos anos ’90, não como músico, mas no meio da comunicação e promoção dos sons underground.
Por entre muitas colaborações nacionais e internacionais, nos anos 90 e 2000 revela-se um grande impulsionador do heavy metal a nível nacional, sobretudo a nível da imprensa escrita.
Foi uma ponte de comunicação com diversos meios de divulgação underground a nível nacional, desde fanzines, revistas e rádios e fez conhecer muita da música feita nos Açores no continente nacional e até internacional.
Em 2020, criou o Museu do Heavy Metal Açoriano (um projeto online) e actualmente é responsável por uma emissão da rádio online, dedicada única e exclusivamente aos sons nacionais (continente e ilhas) de nome Headbangers Radio Online.
Valentina Alvarez
(Caracas, Venezuela, 1987)
Artista visual multidisciplinar. A sua prática cruza imagem, espaço, movimento e escrita, explorando a experiência humana através da presença, do gesto e da relação sensível com o tempo e a paisagem. O seu trabalho desenvolve-se entre o individual e o coletivo, propondo a criação como um espaço de escuta, conexão e experiência partilhada.


