Residência Artística
Salutem: à tua saúde
Exposição

Hugo Paquete e Ana Nobre

até 3 de setembro terça a domingo das 10h às 18h

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EXPOSIÇÃO

RESIDÊNCIA ARTÍSTICA SALUTEM: à tua saúde 

O Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, através de um open call nacional, selecionou dois artistas para a Residência Artística Salutem: à tua saúde, que pretende cruzar as artes, com a medicina, a ciência com o conhecimento, tendo como principal cenário a sociedade contemporânea, não esquecendo a realidade e a identidade do Arquipélago dos Açores. A curadora espanhola Carolina Grau foi convidada para desenvolver em conjunto com o Arquipélago esta Residência Artística, acompanhando os artistas durante toda a criação e produção.

Ana Nobre e Hugo Paquete foram os artistas seleccionados para desenvolverem esta residência de 3 meses no Hospital do Divino Espírito Santo em Ponta Delgada, que pretendeu criar um laboratório VIVO de arte, criação, saúde e inovação.

No dia 16 de junho Hugo Paquete apresenta pelas 21h30 no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas a instalação performance Zoe: Actant, e Ana Nobre, dia 18 de junho, na Igreja do Colégio em Ponta Delgada apresenta Mapa da Vida, às 18h00.

Zoe: Actant de Hugo Paquete

16 junho a 03 de setembro | Oficina de escultura do Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas

Zoe:Actant de Hugo Paquete

ZOE: ACTANT

A obra é desenvolvida em torno de conceitos como; limite, interação, imprevisibilidade, cultura e atuante na extrapolação dos imaginários científicos e técnicos retirados do contexto da residência artística. Interpretados numa abordagem performativa, onde sons, imagens, gestos e objetos recolhidos no hospital ou recriados, emergem num sistema de relações generativas potencializadas pela tecnologia computacional. Que nos remetem para o espaço técnico do diagnóstico como meio de intermediação dos campos de representação e de potencial estético. A contingência da obra é construída como recurso a fenómenos visuais e sonoros intangíveis, como gravações dos campos electromagnéticos dos equipamentos hospitalares, variações de luminosidade do edifício convertidas para som em tempo real, com recurso a painéis solares no contexto da performance e imagem proveniente da tecnologia médica hiperóptica e hipersónica. Desvendando eventos, sonoros, luminosos e atuantes, como vírus e bactérias que se encontram num estado de imanência e desaparecimento, que só podem ser revelados pela mediação das tecnologias gerando transformações, efeitos e reações que irrompem pela nossa consciência e que se contextualizam também como elementos implicados na cultura. Construindo um espaço de imersão e subjetividade científica onde os espetadores como atuantes ativam a obra como pertencentes a um sistema de interdependências. Os eventos sonoros emergem neste sistema como elementos granulares minimais que num processo alegórico vão-se multiplicando como as bactérias, acompanhados de pequenos music scores, de composição orientada para objetos, que remetem para a memória de situações sonoras do hospital. Este material vai sendo interpretado ao vivo, estando em constante hibridação pela aplicação do gesto performativo, tecnologia aplicada e interação do público como atuante, catalisador no interior de um sistema vivo e imprevisível. Sendo a soma de todas estas interações o diagnóstico experimental.

Hugo Paquete

 

Mapa da Vida de Ana Nobre

18 de junho a 02 de julho | Igreja do Colégio, Ponta Delgada

04 de julho a 03 de setembro | Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas

 

MAPA DA VIDA

Mapa da Vida é uma acção performativa que apresenta duas peças (caddie e HDES) resultantes do processo de trabalho da artista, no/com o Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, durante três meses. Este processo realizado em ateliê aberto, no espaço do Hospital, foi também encarado como performance.

Caddie e HDES são dois panos de grandes dimensões, realizados com tecidos hospitalares para abate — material transversal a quase toda a estrutura hospitalar — contentores das marcas dos corpos, dos seus fluidos, do seu manuseamento; apresentam o que foi (noema da fotografia/Roland Barthes), mas também o que está sendo (a manipulação do material pela artista, a acção do fruidor participante do ambiente envolvente). Mapas da Vida, onde o real adere sem passar pelo olho da máquina fotográfica.

Com esta fotografia sem câmara (a performance da fotografia) a artista quer contribuir para uma compreensão da realidade assente mais na nossa experiência sensível, corporal, na vivência somática dos fenómenos e menos em imagens (capazes de transformar a realidade na sua sombra). Para que se recupere o mundo das imagens por um lado, e o mundo das coisas por outro, Ana Nobre propõe-nos a obra-vestígio, os desenhos de luz, os desenhos do mundo, onde as imagens são vestígios do real que está sendo.

Não interessa tanto a completude formal da obra, quanto o facto das suas possibilidades estéticas derivarem das relações recíprocas entre objeto, sujeito e o seu ambiente genérico, que derivem dessa reciprocidade do fazer e do fruir artísticos que colocam no mesmo plano sujeito, objecto e ambiente. Mais que os valores de beleza e completude formal – visto que a forma foge em grande medida ao nosso controlo – estão em jogo os valores de vitalidade, o convite à liberdade imaginativa, à fruição da vitalidade do mundo, da physis (vida), e a uma participação estética e eticamente consciente. O convite às sugestões de uma superfície/matéria passível de fixar e gerar imagens e livre de assumir qualquer determinação, fruto da relação entre fruidor, matéria e ambiente envolvente. As imagens geram-se integrando em pleno os vestígios dessas relações recíprocas.

Ana Nobre

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